26 fevereiro, 2008

No quarto

Para ler tentando ouvir;
- O Sasahara me desafiou à ser seu parceiro musical. Seria simples, eu teria apenas que compor enquanto ele faria o resto. Seria! Digo com toda força, seria, apesar de motivado o bicho difícil e enquanto não surge uma composição de verdade, vou postando algumas tentativas -



No quarto

Mentiras sinceras são ditas no silêncio da noite
e nem mesmo as canções mais tristes
poderiam me desmentir

Ele pensa que o refugio esta
no quarto escuro
e nas lembranças esquecidas

As cores fortes
brigam com a as derrotas
do dia a dia

Desistir nem pensar
mas por que lutar
se o que importa mesmo
e se deixar levar

Pelo vento
pelas mãos
por situações que nem mesmo ele entende

Ele canta as tristezas de um coração solitário
que nunca soube se apaixonar
e que já nao quer mais lutar





Mais fotos em:http://www.flickr.com/photos/21359360@N02/

11 fevereiro, 2008

Eu sou?

Para ler ouvindo:
Where you've been hiding - Architecture in Helsinki

Eu sou:

Tímido o suficiente pra agir sem pensar; falar a primeira coisa que vem na cabeça; pra dançar de olho fechado pra me imaginar sozinho na festa; pra cantar desafinado mais alto que a música quando to tomando banho, pra ser um bom ouvinte e o pior dos conselheiros;

Sou suficientemente tímido pra decorar o discurso na frente do espelho e esquecer que não tinha talvez na simulação; pra evitar conversas em filas de banco, ponto de ônibus, caixas de supermercado; pra beijar a garota sem falar nada e ficar esperando o tabefe na cara.

Acanhado o bastante pra ser descrito numa música; pra acordar Johnny Bravo e ir dormir Charlie Brown e se inspirar em Seth Cohem e ser tão sincero quanto Shyoran Lee;

pra me apaixonar por qualquer pequena que sorri por mim; por qualquer menina que me ofereça colo e que goste de cafuné, pipoca e filme velho.

Encabulado e encabulado pra estar no meio de um monte de gente pra não se sentir sozinho; pra rir de si mesmo e usar o humor como defesa; Pra não conseguir dizer não a quase nada e sonhar o tempo acordado.

Tímido o suficiente pra não demonstrar isso pra ninguém e me arrepender de ter escrito tudo isso.


(porque a necessidade de se escrever as vezes fala mais auto)

03 fevereiro, 2008

Porque escrevo

Para ler ouvindo: For sure - American Football

Porque escrevo


Um dia me perguntaram por que escrevo.

Escrevo porque não tenho coragem de dizer e talvez acredite que as poucas linhas possam ecoar e pode até ser que pra alguém elas façam algum sentido.

Escrevo algumas sentimentalidades e permito a fuga de sentimentos reprimidos. Aqui as palavras ganham novas proporções, a melancolia parece menos triste e até mesmo as luzes são mais brancas, ora, mais fortes que o quarto escuro.

Sou especialista em me escrever e principalmente em me calar. Por que? Porque o papel aceita e não contra argumenta, não é ácido, fulgaz. Porque sou meu melhor personagem, o incrível menos interessante. As palavras ditas ganham proporções em entrelinhas não pensadas e evidenciam vulnerabilidades, o timbre enuncia a mentira, a respiração apresenta a ansiedade, a melodia expõe os sentimentos e o som canta ao nosso ouvido mentiras verdadeiras interpretadas pelo pobre saltimbanco trapalhão.

Uma vez falei e não escrevi, nesse dia descobri que todo carnaval tem seu fim.















(O já famoso caderno azul, texto escrito em uma dessas madrugadas de 2007)