25 abril, 2007

as aventuras amorosas de Mr R.

As aventuras amorosas de Mr R.

1. O INICIO

Rapaz anormalmente comum R é o típico cara tímido, poucas palavras, observador, senso de humor abobalhado por ora inteligente e quase sempre muito cítrico. Onde estiver pessoas reunidas e falantes procure por R com certeza ele estará por lá quetinho, sendo um bom ouvinte, completando frases, fazendo alguns comentários por vezes interessantes.

Caçula de uma família de baixa renda, ela orgulha-se das conquistas que fez; a bicicleta comprada com o primeiro salário, o quarto pintado nas cores favoritas, o ingresso na faculdade, as medalhas penduradas na parede, fotos das viagens realizadas com os amigos, o computador de ultima geração.
Ele é assim orgulho, por vezes falsa modéstia, contraditoriamente contraditório e metamórfico como sempre insiste em falar. Tudo misturado a um coração grande e sedento por ter suas próprias histórias ouvidas, como há dos amigos mais desavergonhados.

No lugar certo nas horas erradas, no lugar errados nas horas certas, ou nas possíveis combinações que o ditado permite, é mais ou menos assim que as coisas acontecem com R, elas simplesmente acontecem sempre o jogando do mundo dos sonhos para a realidade, onde as falas ensaiadas por horas não ajudam muito em situações verídicas e criando um leque de situações no mínimo engraçadas, que permeiam o dia a dia do nosso herói.

Suas inquietações são sempre as mesmas de um jovem de vinte e poucos anos, futuro, carreira, amigos, brigas, mulheres. Sempre as mulheres, razão de inquietação de qualquer homem, com suas curvas despretensiosas, bocas reclamantes por beijos, olhares manhosos, decotes, lingeries, vestidos, botas e sensualidade, Ah a sensualidade devem vir no DNA das mulheres.

Mas voltemos a R um rapaz anormalmente normal, que gosta de estar com amigos pra um papo e um copo de cerveja gelada, viajar e levar na bagagem só expectativas quase nunca concretas, assistir filmes e mais filmes, olhar alguns minutos a barriga no espelho e sempre prometer voltar a praticar alguma atividade física e se tornar finalmente o Don Huan Marco.

Este é o primeiro esboço da biografia não autorizada escrita por ele mesmo, de R, um rapaz que quer apenas ter histórias pra contar na segunda feira.
Nas próximas linhas!
1.1 OS PRIMEIROS BEIJOS!

02 abril, 2007

palavras, apenas, palavras

As lágrimas se confundem com meu sorriso sem graça, o gosto salgado do vento que teimam em deixá-las marcadas no meu rosto. As pernas já não sinto mais, correr é a única vontade que sinto, me deixem passar, desculpe, desculpe, desculpe, pra ontem estou indo, minhas pernas é que pensam por mim, o caminho será apenas o caminho.

Como criança me debruço no banco do carro e vejo apenas a cidade escura passar, imagens turvas, letreiros, néons, mas é tudo muito bonito, o caleidoscópio de imagens lentas, distorcidas em meio de rostos alegres, fanfarrões, fazem da chuva o ritmo da valsa orquestrada pela embriagues dos meus sentidos.

Sentado, pedindo abrigo, fico com os olhos cerrados, depressivos pela dor da perda de metáforas berradas baixas no ouvido. ?Será que o mundo realmente gira? minha inércia e autocrítica ácida misturam-se ao cheiro do ralo do vizinho ao lado, prefiro continuar aqui sentado me torturando com imagens e palavras que teimam e fazer eco, na cabeça vazia, que tem força apenas para emoldurar um sorriso sem graça no meio de lágrimas de quem corre sentado no banco do carro.

Ora não me fale de tristeza. Sou auto-suficiente em me derrotar. Pode ser meu signo cardinal, da terra, regido por saturno, e sua órbita que só me lembra do giro, que nem sempre é perfeito como o círculo. O que é isso? Apenas palavras desordenadas, pensadas e tentadas ser sentenciadas em linhas que poderão ser interpretadas por outras pessoas de outros signos de ar, fogo e água, mais ou menos racionais que eu, que grito mudo palavrões educados buscando a sinceridade da educação de dois estranhos.

Ah! Deixe-me quieto no meio do meu silêncio, quer me ajudar sente aqui ao meu lado por horas e não brigue com o silêncio constrangedor muito menos se incomode com ele, existem fonemas impronunciais pela língua. Mas seu calor me conforta e pode ser que uma hora minha cabeça procure seu colo e o mesmo silêncio das músicas tristes que embalam suas mãos no conforto da sua presença.

Onde fica o futuro?

Da licença.
Você sabe me informar como chego no futuro?
No futuro?
Hum, deixa eu pensar. O João, João, pro futuro, como se chega mesmo?
É facinho, segue em frente, depois de alguns quarteirões você vai ver o futuro fazendo esquina com o presente.
Obrigado!
Peguei-me assim seguindo em frente, procurando pelo futuro. Quanto mais eu andava, mais distante eu ficava do futuro e quando dava por mim, tudo já estava no passado.Um passo adiante e lá ficaram meus amigos tomando cerveja, para um minuto senta aqui com agente, outro quarteirão cruzado e via aquele campo verde enorme, marcado pela luz do sol, pensava bem que podia sentar um pouquinho e curtir a brisa, mas não posso preciso chegar logo, e assim passaram os meus dias, numa busca incessante em alcançar algo que não sabia o que.
Me perguntavam: O que você quer com o futuro?
Minhas respostas sempre eram imprecisas, Ah sei lá Família eu dizia pra alguns, estudo falava pra outros, realização pessoal, profissional, sexo, sexo, muito sexo, ah essas coisas que se encontra no futuro, pra que perguntas obvias.
Todo mundo sabe o que procura no futuro.
Continuei firme a minha caminhada, mas não chegava nunca, sempre que imaginava que estava no caminho errado parava um pouco!
Por favor, onde fica o futuro?
Segue em frente, umas três quadras, ai você vira a esquerda desce mais duas quadras, quando chegar no semáforo, continua reto, não tem como errar, o futuro fica logo ali, não dei muita atenção, preferi pegar alguns atalhos, seguir meu senso de direção, e pra variar fiz o caminho errado, mas uma vez.
Um dia andando recebi um papelzinho da Dona madame alguma coisa.VEJO SEU FUTUROResolvi ir procurá-la afinal ela poderia me ajudar a encontrar o meu, aquele papel me pareceu tão sincero, tão honesto, que fui!
Ola Madame
Não me diga nada! Madame pode tudo, se procura encontrar o seu futuro veio ao local certo. Eu vejo, vejo o seu futuro, você pode ver? Olhe para as cartas, elas tem as respostas, não, não, não a bola esta ficando embaçada, ah o futuro, não mexas nos búzios, as combinações numéricas apontam para o seu futuro!Sai de lá meio atordoado, tantas informações.
Ah futuro, por que esta tão distante! Cantando eu fui, a cada dia chegando mais próximo do meu futuro, mas quando imaginava que esta com ele em minhas mãos, tudo começava de novo. Até que chegou o dia. Estava andando como sempre faço, um caminho de incertezas, de pedras e de algumas alegrias, quando me deparo com ele ali parado a minha frente, olhando pra mim, não era bem como eu tinha imaginado, mas já era alguma coisa, a estrada me levava a uma bifurcação, esquerda, direita e o meu futuro a frente, mas qual das duas pegar e fiquei ali parado!